terça-feira, 15 de maio de 2012

Análise do livro dedático.



ANALISE DO LIVRO DIDADICO DE HISTÓRIA


Introdução


As obras didáticas de histórias são escritas geralmente por historiadores e professores de história e representam a História que será significada e ressignificada por seus leitores, a grande maioria professores e alunos. Seus textos e imagens são resultados do entendimento e da representação de uma realidade a partir do olhar de quem escreveu a obra (OLIVAS 2003, pp. 441- 442.) e ajudam os alunos e professores na construção da representação sobre diversos momentos da humanidade no tempo.
Ao escrever uma obra didática, o autor usa critérios da sua formação acadêmica, suas ideologias, seu contexto histórico, o público para quem escreve, e os limites de sua formação, além das exigências das editoras. Sua obra final resulta em um “tipo de representação da História”. (OLIVAS 2003, pp. 441- 442.)
De certa maneira, as obras didáticas podem apresentar valores, ideologias e transmitirem estereótipos (BITTENCOURT. apud. OLIVAS. 2003. pp. 441-442). Serão lidas por diferentes leitores (professores e alunos) “que não possuem a mesma formação intelectual e não mantêm a mesma relação com o escrito” (CHARTIER, 1991. p. 179). Nesse sentido, as representações sobre os momentos da humanidade no tempo, presentes nas obras didáticas “carregam as marcas” de quem escreve e de quem lê a obra. Com base nos textos e imagens presentes nos livros didáticos, os alunos irão construir suas representações produzidas por quem escreveu. (OLIVAS 2003, p. 442.)









Analise do livro didático
É assente, entre os historiadores, que os sujeitos sempre se posicionam a partir de um lugar social e que os olhares que assumem são permanentemente contingenciados por circunstâncias que emergem em função de tais lugares. Parece pertinente, portanto, que se faça um esclarecimento inicial acerca do lugar a partir do qual se enunciam as análises (Miranda 2004) Esses registros revelam situações de um lugar no qual os valores e as relações sociais são atravessados pelas perspectivas da provisoriedade e da transitoriedade. Uma realidade na qual os espaços e os papéis sociais estão apenas precariamente acordados. O livro didático deve ser acima de tudo uma obra que venha eliminar as duvidas do aluno, ou no mínimo apontar caminhos, uma vez que é nesta fase da vida escolar que se forma o conjunto de opiniões, ou visão de mundo, que o aluno carregará por toda vida.
Neste trabalho analisaremos qual conceito de história, fontes históricas, construção da história e verdades históricas proposta pelo autor da obra didática, se nesta obra o autor preocupa-se em mostrar como a história é construída pelo historiador, e qual a sua referencia acerca das verdades históricas.
A obra didática ora analisada intitula-se “História: Brasil: da chegada dos portugueses à independência política” da autora Marlene Ordoñes, 1º edição, São Paulo, editora IBEP, publicado em 1999.
 A definição que o livro dá para o conceito de História é simplista, como transcrita a seguir: “A História é a ciência que procura mostrar e explicar as realizações do homem, as transformações da sociedade ao longo do tempo.” (Ordoñez, 1999. p.06). Tal conceito poderia ter sido mais bem exemplificado se pensarmos que podemos considerar o conceito da palavra História com dois significados: Falamos em História quando queremos nos referir a qualquer fato ocorrido no passado, assim podemos dizer que a História é o conjunto do passado, de tudo o que já passou ou já aconteceu. Em outro sentido podemos dizer que a História é a interpretação do historiador (ou dos historiadores) sobre o passado.
Marlene Ordoñes faz uma breve referência sobre as fontes históricas, citando-as como instrumentos de trabalho do historiador, fazendo o uso de alguns exemplos de “fontes históricas, como fósseis, documentos, restos de objetos etc.” (ORDOÑEZ, 1995. p. 15), contudo deixa de mostrar em sua obra como é construída a História pelo historiador, algo bem relevante e que, mesmo de forma simplificada, deve fazer parte de uma obra didática. A disciplina de História é um campo de estudos que permite variadas interpretações do passado, de determinado fato ou processo histórico - o que não quer dizer que os historiadores podem dizer ou escrever qualquer coisa que acharem melhor. Para fazerem sentido, os registros do passado carecem de serem interpretados e isso se dá pelo trabalho dos historiadores, esses por sua vez realizam tal interpretação de acordo com sua formação acadêmica, sua visão de mundo, o que resulta em várias conclusões diferentes, sob diferentes olhares e, o que é melhor ainda, um mesmo acontecimento ou processo histórico, uma vez analisado por diversos historiadores, pode revelar coisas que talvez seriam impossíveis (ou levariam muito mais tempo) de serem descobertas se analisadas apenas por um olhar.
       Assim, o texto da presente obra não faz absolutamente nenhuma referência no que concerne acerca da compreensão das verdades históricas, e que tais verdades são parciais, não absolutas, o que não ajuda o aluno a compreender a disciplina de História como uma ciência de múltiplas vertentes e que permite àqueles que se propõem a estudá-la a olhar o mundo desta forma, como um mosaico de alteridades a ser compreendido, isso quando consideramos que o conhecimento histórico ensina a diferenciar as durações, as vidas; “ensina a duvida metódica, a critica da informação, a  perspicácia no juízo, a liberdade de pensamento, a analise lúcida da informação tendenciosa.” (Reis 2000)
  















Conclusão

As avaliações das obras didáticas de História têm sido freqüentes nos últimos anos pelo PNLD (Programa Nacional do Livro Didático). Elas servem de guias para os professores no momento da escolha das obras que serão adotadas pelas escolas públicas brasileiras. 
No universo das coleções avaliadas pelo PNLD em 2008, observa-se uma diversidade quanto à organização dos conteúdos. Muitas conseguem dar conta de alguns pontos exigidos nos editais de convocação do PNLD, mas por outro lado não mantém um padrão de qualidade em todos os itens. As avaliações do PNLD provocaram mudanças na participação dos grupos editoriais no mercado de venda das obras didáticas de História. Muitas editoras sumiram ou foram incorporadas por outras, e aquelas que permaneceram tiveram que modificar o perfil da edição das obras.
Mesmo com estas mudanças, os conteúdos presentes nas obras didáticas são construídos e integrados com História da Europa, com cunho puramente informativo e tradicional. As novas possibilidades de abordagem histórica aparecem em um número menor.
Dessa forma a obra analisada, deixa lacunas no que diz respeito à compreensão dos conceitos basilares da disciplina de História, bem como seu processo de construção ao longo do tempo e no decorrer dos acontecimentos dos quais se propõe analisar e compreender.
     










Bibliografia
BITTENCOURT, Circe Maria Fernandes. Em Foco: História, produção e memória do livro didático. Apresentação. São Paulo. 2005.

CHARTIER Roger. O mundo como representação. Estudos Avançados: Revista das Revistas, n° 11, 1991.

PROGRAMA NACIONAL DO LIVRO DIDÁTICO. Séries/Anos Finais do Ensino Fundamental – História, Brasília, Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. 2008.  pp. 21-22.

OLIVAS, Anderson Ribeiro. A História da África nos bancos escolares. Representações e imprecisões na literatura didática. Representações e imprecisões na leitura didática. Estudos Afro-Asiáticos, ano 25. N° 3, 2003.

ORDOÑEZ, Marlene. História: Brasil: da chegada dos portugueses à independência política, 5ª série/1ª edição, São Paulo: IBEP, 1999.

REIS, José Carlos. “Os Annales: Renovação teórico-metodológica e ‘utopica’ da Hitória pela reconstrução do tempo histórico”.  In: Escola dos Annales: A Inovação Histórica Rio de Janeiro, Paz e Terra, 2000, pp. 9 - 15

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