UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ
INSTITUTO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS
FACULDADE DE HISTÓRIA
DISCIPLINA: MONOGRAFIA I
PROFESSOR Dr. ANTONIO OTAVIANO VIEIRA JUNIOR
ALUNO: LUIS DA SILVA PEREIRA
| RELATÓRIO DE PESQUISA |
Parauapebas, dezembro 2010
O trabalho que vai ser construído a partir dessa pesquisa pretende apresentar reflexões a cerca da construção da memória dos mutilados do Massacre dos trabalhadores rurais Sem Terra (MST) de Eldorado do Carajás em 17 de abril de 1996. Sabe-se que a História oficial Está nos livros e nos documentos, nos filmes e nos discursos de dirigentes. Mas ao lado do que a escrita e a imagem registram, existe uma visão dos acontecimentos que pode ser recuperado através da memória. E é com o propósito e usando o conceito de memória proposta por Le Goff, Eclea Bosi, José Assunção Barros, Antonio Montenegro e Alessandro Portelli, que darão norte a produção do trabalho de recuperação dos fotos através da lembrança. Pretende-se através da memória retratar aquilo que os jornais e livros não noticiaram, e como o fato vem sendo lembrado através dos tempos dês do acontecimento até o ano de 2010, e que estão guardadas na memória daqueles que presenciaram o lamentável acontecimento.
Estamos vivendo em uma época em que grande parte das histórias contadas das lembranças deu lugar às historias oficiais. Os grandes eventos e acontecimentos históricos passaram a ser contados através de uma linguagem cientifica que é construída em face de muitas pesquisas e investigações. Embora a história oficial não tenha objetivo de promover o desaparecimento das histórias contadas usando a lembrança como fonte, esse tipo de veiculação dos acontecimentos históricos tem perdido o seu lugar de destaque na maneira de se fazer a história. É bem verdade que as histórias contadas oralmente tendo como fonte a lembrança ainda são repassadas nos lugares onde a informação demora a chegar.
Em decorrência desta memória, enquanto atributos humanos desenvolvidos através de marcas em seu corpo, o homem, com experiência sentimentos limites que os colocam em sofrimento conseguem mesmo, como por exemplo: a consciência de culpa ou “má consciência” É nesse propósito de refletir a cerca dessas questões que envolvem a construção da memória como fator social que possui relevância dentro do contexto de reconstrução dos fatos que optei a se enveredar pro este caminho da historia, com a intenção de através da memória dos mutilados fazer com que se perpetue na lembrança o triste dia 17 de abril de 1996 em Eldorado do Carajás.
Para a construção desse trabalho contarei com o que foi escrito nos jornais Correio do Tocantins, O Liberal, Opinião e também outras publicações.
No entanto minha pesquisa ainda está em processo de desenvolvimento uma vês que ainda não estou com todas as fontes colhidas embora tenha todas mapeadas ainda não as copiei por completo.
Não dá para descrever detalhadamente todas as fontes já colhidas neste relatório dadas o grande número de recorte de jornais, trata-se de todas as reportagens que foram editadas no ano de 1996 a respeito do assunto nos jornais já mencionados. Foram também copiadas todo que foi escrito nesses veículos de comunicação no mês de abril, dos anos de 97,98,99,2000. Faltando assim para completar minha pesquisa os anos de 2001 a 2010. Cujo os quais providenciarei em janeiro.
Nesses escritos estão os mais diversos assuntos como relatos dos sobreviventes opiniões de lideres dos Sem Terras, autoridades civis, políticos e juristas. São muitos os conteúdos encontrados nessas fontes e procurarei através de análise obter o máximo de informação necessário para a construção do meu trabalho contarei também com entrevista de pessoas da comunidade que já foram colhidas das pessoas selecionadas para serem entrevistadas já foram ouvidas 7 pessoas, as quais receberam-me com muita gentileza e falaram tudo aquilo que acharam relevante para o trabalho.
Lista dos entrevistados:
Gabriel Almeida Nascimento 52 anos;
Falou do medo que passou com os militares atirando para todos os lados buscando alvos a qualquer custo.
Maria Zelzuita Oliveira de Araujo 45 anos;
Resaltou a mudança que teve em sua vida após o massacre , agora ela tem casa terra e pão, mas nada disso justifica a morte dos companheiros.
Eva Pereira Sousa 66 anos ;
Eva de Sousa afirma que o confronto poderia ter sido evitado e com isso evitaria o derramamento de sangue se não fosse a teimosia de alguns lideres do movimento em insistir no meio da estrada.
Laurindo da Costa Ferreira 49 anos;
Nada justifica a morte de um povo. Diz o Senhor Laurindo.
Raimundo Dos Santos Gouveia 55 anos;
A luta faz parte da conquista, afirma o senhor Gouveia dizendo que a morte dos companheiros não foi em vão, a terra foi conquistada e sobre ela a uma grande produção de alimentos para matar a fome do nosso povo.
Altamiro Simplício da Silva 42 anos;
Altamiro diz que a morte dos companheiros serviu para amenizar a violência no campo, sobretudo no Pará.
Batista do Nascimento Silva.
Batista afirma que sua vida agora tem muito mais valos do que antes. Mesmo assim não se conforma com tanta brutalidade ocorrido no triste dia 17 de abril de 1996 na curva do “S”
Lista de leituras feitas.
Na Construção desse trabalho contarei com o auxilio de leitura metodológica como:
Antonio Torres Montenegro História real e memória, a cultura popular revisitada, 6ª Ed.- São Paulo: Contexto, 2007.
A Leitura de Antonio Torres Montenegro me permitiu ter um apoio no momento das entrevistas, visto que seu livro foi escrito nos relatos de episódios significativos
Dos anos 20 aos anos 40.
Ricardo Cordeiro de Oliveira: A greve dos Operários de Belo Horizonte.
Com a Leitura de Ricardo Oliveira Percebe-se que a historiografia é a análise critca do processo de produção do conhecimento.
Alessandro Portelli. História oral italiana: raízes de um paradoxo. Tradução: Rinaldo José Varussa.
Na Leitura de portlli pude observar a relevância das fontes e perceber que um trabalho só ode ser qualitativo através do dialogo constante entre todos os envolvidos.
José D’Assunção Barros. O Campo histórico- Considerações sobre as Especialidades na historiografia contemporânea. História unisinos 9(3): 230-242, setembro /dezembro 2005.
Jacques Le Goff Historia e Memória 1924. p. 421 Tradução Bernardo Leitão... 5ª Ed.- Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2003.
As leituras historiográficas feitas foram poucas diante da relevância do trabalho a ser construído, leitura como:
Eclea Bosi, Memória e sociedade Lembranças de Velhos
A leitura de Eclea Bosi é muito importante pela importância da historiografia nele contido, relatos, entrevistas. E como a própria Eclea diz, ´tudo que é importante merece ser contado.
Vitor Nunes Leal; Coronelismo Enxada e voto,
Essa leitura mostra a influencia das autoridades na vida social de povo sobretudo as autoridades municipais que interfere diretamente na vida do camponês.
Dan Baron, Alfabetização Cultural A luta Íntima por uma nova humanidade.
Baron mostra em um capitulo do seu livro a luta de um povo que apenas luta por dias melhores movimento sociais que rompem todas as dificuldades em benefícios da sociedade.
Ricardo Cordeiro de Oliveira: A greve dos Operários de Belo Horizonte.
Ricardo reforça a importância da memória afirmando que é um elemento constituinte do sentimento de identidade tanto coletivo quanto individual.
Leila Navarro de Santana. Memória: construção sangrenta.
Leila Navarro ressalta a importância da memória na construção do conhecimento historiográfico.
Sei que todas as leituras que foram feita não são suficientes para a construção desse trabalho, no entanto comprometo-me de aprofundar minhas leituras e de mais rápido possível concluir as entrevistas, visto que é de minha absoluta responsabilidade a conclusão dessa pesquisa.
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