UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ
INSTITUTO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS
FACULDADE DE HISTÓRIA
MULTILADOS: A MEMORIA DO MASSACRE DE ELDORADO DOS CARAJÁS
LUIS DA SILVA PEREIRA
PARAUAPEBAS-PA
JUNHO DE 2011
1 IDENTIFICAÇÃO DO TEMA
Memória dos Mutilados do Massacre de Eldorado do Carajás
3 RESUMO
O presente trabalho pretende apresentar reflexões a cerca da construção da memória dos mutilados do Massacre dos trabalhadores rurais Sem Terra (MST) de Eldorado do Carajás em 17 de abril de 1996. Sabe-se que a História oficial Está nos livros e nos documentos, nos filmes e nos discursos de dirigentes. Mas ao lado do que a escrita e a imagem registram, existe uma visão dos acontecimentos que pode ser recuperado através da memória.[1] E é com o propósito e usando o conceito de memória proposta por Le Goff, Eclea Bosi, José Assunção Barros, Antonio Montenegro e Alessandro Portelli, que darão norte a produção do trabalho de recuperação dos fotos através da lembrança. Pretende-se através da memória resgatar aquilo que os jornais e livros não noticiaram, e como o fato vem sendo lembrado através dos tempos dês do acontecimento até o ano de 2010, e que estão guardadas na memória daqueles que presenciaram o lamentável acontecimento.
4 INTRODUÇÃO
É preciso reconhecer que muitas de nossas lembranças, ou mesmo de nossas idéias, não são originais: foram inspiradas nas conversas com outros. Com o correr do tempo, elas passam a ter uma história dentro da gente, acompanham nossa vida e são enriquecidas por experiências e embates. Parecem tão nossas que ficaríamos surpresos se nos dissessem o ponto exato de entrada em nossa vida. Elas foram formuladas por outrem, e nós, simplesmente, a incorporamos em nosso cabedal. Na memória dos casos creio este não seja um processo consciente.
Ecléia Bosi
Estamos vivendo em uma época em que grande parte das histórias contadas das lembranças deu lugar às historias oficiais e celebrativas.[2] Os grandes eventos e acontecimentos históricos passaram a ser contados através de uma linguagem cientifica que é construída em face de muitas pesquisas e investigações. Embora a história oficial não tenha objetivo de promover o desaparecimento das histórias contadas usando a lembrança como fonte, esse tipo de veiculação dos acontecimentos históricos tem perdido o seu lugar de destaque na maneira de se fazer a história. É bem verdade que as histórias contadas oralmente tendo como fonte a lembrança ainda são repassadas nos lugares onde a informação demora a chegar.
Em decorrência desta memória, enquanto atributos humanos desenvolvidos através de marcas em seu corpo, o homem, com experiência sentimentos limites que os colocam em sofrimento conseguem mesmo, como por exemplo: a consciência de culpa ou “má consciência” [3] É nesse propósito de refletir a cerca dessas questões que envolvem a construção da memória como fator social que possui relevância dentro do contexto de reconstrução dos fatos que optei a se enveredar pro este caminho da historia, com a intenção de através da memória dos mutilados fazer com que se perpetue na lembrança o triste dia 17 de abril de 1996 em Eldorado do Carajás.
O Massacre de Eldorado do Carajás de 17 de abril de 1996, foi um fato histórico de grande proporção, e fez o pequeno município do sudeste do Pará, de vocação agrícola, ganhar as páginas de jornais do mundo inteiro. Esse fato lamentável que ultrapassou todas as barreiras do que pode ser aceito pela sociedade, teve grande repercussão e foi veiculado por toda imprensa mundial. No entanto sabemos que os fatos históricos que tem grandes repercussões são muito noticiados pela mídia por algum tempo, mas depois são esquecidos. Em face disso, não queremos reviver o terror do massacre nem tampouco os transtorno de vidas de pessoas mutiladas, mas sim preencher as lacunas dessa história deixada pela mídia. Segundo Freitas (2003), talvez seja esta falsidade, no que se refere à pesquisa historiográfica, que faz com que a “historiografia esteja fadada a ser sempre uma parte da historia das idéias ( e vice-versa) uma vez que sua ocupação com o registro está impregnada das impressões (fantasmagórica ou não) do não registro”[4] A necessidade de narrar a barbárie e a insuficiência de linguagem diante do horror e do paradoxo que põe em cheque a relação entre o real e o ficcional, entre historia e ficção. É possível a realidade verbal, de linguagem traduzir um excesso de realidade “vivida”?[5] É nesse propósito que farei com que a experiência vivida pelos sobreviventes do Massacre de Eldorado do Carajás ultrapasse as barreiras do esquecimento e possa ser perpetuado para alem daqueles que vivenciaram o triste e fatídico episodio.
Não podemos deixar que um fato dessa proporção caia no esquecimento, e não perca o sentido pois só perde o sentido aquilo que não tem importância. Porém o massacre de Eldorado foi um fato de grande importância, sobretudo para aqueles que sobreviveram àquele dia e para tanto merece ser contado e relembrado, e para ser contado e necessário que se organize as lembranças tanto individual quanto coletiva e para isso foi criado a associação dos mutilados do Massacre de Eldorado do Carajás. Não somente para manter viva a lembrança do Massacre, mas para fazer valer os direitos sociais.
Este trabalho pretende fazer uma abordagem na íntegra de uma memória viva que reflete e ao mesmo tempo está emanado na lembrança de quem vivenciou o triste acontecimento, e que faz o pensamento de toda sociedade. O tema explicitará o que de fato está guardado nas lembranças daqueles que presenciaram e foram protagonista do triste episódio, e assim é parte viva e vivida da história do Massacre de Eldorado do Carajás.
Segundo Jacques Le Goff, a falta ou perda voluntária ou involuntária, da memória coletiva nos povos e nas nações,que pode determinar perturbações graves da identidade coletiva.[6] levando em consideração a importância do acontecido temos a possibilidade de explorar uma gama de informações que certamente ainda estão latentes na lembrança de todos que de certa forma fazem parte dos que sobreviveu ao Massacre. É certo de que a lembrança desse povo ainda possa causar certa estranheza ao ser abordado por um tema que muito lhe causou sofrimento. Porem a memória não é apenas um instrumento de armazenar e recuperar o passado, mas torna-se uma base importante durante toda vida.[7] A toda hora, somos capazes de recuperar aspectos de nosso passado: é como se nos contássemos historias a nós – mesmos,[8] e a sociedade necessita que essas lembranças se torne objeto de conhecimento de todos, fonte de informação que possa levar conhecimento para aqueles que ainda não ouviram ou não leram a historia desse povo que um dia foram alvo de uma brutal falta de ordem por parte de um sistema que ante de tudo deveria proteger a sociedade.
Quando relatamos nossas mais distantes lembranças, nos referimos, em geral, a fatos que nos foram evocados muitas vezes pelas suas testemunhas. Pode-se recordar sem ter pertencido a um grupo que sustente nossa memória?[9]. Ao nos referimos do Massacre de Eldorado do Carajás, será que o fato ainda está presente na lembrança de todos que de alguma forma os vivenciaram? Estarão os mutilados e sobreviventes do Massacre de Eldorado do Carajás dispostos a esclarecer os mecanismos concernentes a uma trajetória histórica de homens, mulheres e crianças que lutavam em defesa de uma vida socialmente digna? E que, no entanto, foi aniquilada e corrompida pelos malefícios do estado que naquele momento teria como papel principal garantir a proteção de todos. Procuraremos estabelecer relações entre os fatores que de alguma maneira promoveram os procedimentos necessários, propícios e pragmáticos do que significou o massacre para aqueles que vivenciaram, levando em consideração as peculiaridades de cada sobrevivente, especificando a consciência objetiva e subjetiva dos mesmos, a partir das percepções emanadas no contexto de vida real, dando ênfase no desenvolvimento promocional de uma nova filosofia de vida particular dos que ali estavam.
Buscaremos através da memória coletiva e individual da conta da importância do ocorrido, contextualizando com a repercussão que se diluiu dentro do cenário cultural e político do Estado e da própria Região.
O que caracteriza a dimensão social da pesquisa e do pesquisador, na medida em que compreende a sua inter-relação, e o seu contexto histórico atrelado a uma rede de significados e interesses que atenda às necessidades da sociedade capitalista, é o que determinam paralelamente a esse processo, a legitimação de um conhecimento comprometido com a realidade histórica.[10] Esse trabalho consiste em analisar o papel da memória como um elemento construtivo do processo de reavivamento da historia.
CAPÍTULO 1
MEMÓRIA DA IMPRENSA
I.I O dia do confronto.
È difícil entendermos um acontecimento da dimensão do que aconteceu em Eldorado do Carajás sem entendermos antes o contexto histórico dessa região.
Desde o inicio da colonização do Brasil, os conflitos pelo domínio e posse da terra são constantes. Conflitos esses que envolvem vários sujeitos ao longo da história. Desde a época colonial, as relações econômicas desencadearam diversos conflitos seja no campo, ou na cidade. No que tange o campo, vários foram os fatores que favoreceram os conflitos, dentre eles; os pesados tributos cobrados sobre a produção agrícola e a posse da terra, as disputas entre fazendeiros, religiosos e mineiros, a escassez dos produtos agrícolas, a expropriação da terra, e a tentativa camponesa de não ser apenas contingente de mão-de-obra para os grandes latifúndios.
Os conflitos no campo serviram durante toda a história do Brasil para reforçar o poderio econômico e político dos grandes fazendeiros, uma vez que a presença deles no âmbito político é significativa e se estende até os dias de hoje. Sobretudo no estado do Pará que apresenta uma dinâmica histórica de ocupação de suas terras desde a implantação acelerada de projetos desenvolvimentista e das gestões fraudulentas de órgãos públicos que foram criados para “bem cuidar” (analisar, distribuir recursos e gerenciar processo); do engessamento do poder publico estadual e da esperteza de oportunista de plantão[11] que pretendiam apenas tirar vantagem da complexa situação que se formou o extenso território desse estado. Para que se entenda a natureza e a contundência dos conflitos fundiários que aconteceram e que acontecem ate hoje na região amazônica, e em especial no estado do Pará, é importante que seja recuperados alguns fatores do processo de ocupação das terras que foram acontecendo desde os primórdios da colonização brasileira, pois o que se constrói no tempo presente apóia-se no “tecido” econômico, político e social que deu sustentação às bases formativas da história.[12]
Dentro da dinâmica de ocupação e luta pela terra percebemos a atuação de vários grupos organizados que formam um conjunto que promovem o desencadeamento dos conflitos e massacres pela posse da terra no sudeste do Pará. Esse conjunto em sincronia entre si formam uma estrutura sangrenta que gera uma cultura de violência e reproduz os mecanismos de apropriação da terra.
Essas apropriações na maioria das vezes são indevidas, de maneira irregular onde os grupos usa para isso o poder econômico e político para fazer do bem comum, que é a terra, o seu bem particular fator que ajuda a explicar o grade numero de conflito envolvendo o meio rural. O camponês leva desvantagem sempre, isso se dá pela própria condição social dos indivíduos que se encontra na sua maioria em situação de necessidade e que só os resta o caminho: a estrada. A estrada que os levará à cidade[13] ou a estrada que os levará à luta por um pedaço de chão de onde possa retirar o sustento de suas famílias.
Para Octavio Ianni, o camponês encontra-se geralmente na condição de classe subalterna e é essa condição de submissão que fez dessa camadas social ao longo do
tempo massa de manobra para um mercado de mão-de-obra barata ou muitas vezes ate mesmo de condições sub humanas. Segundo OCTAVIO IANNI:
A própria diversidade da condição camponesa é essencial á compreensão da sua condição subalterna. São sitiantes, colonos, parceiros, meeiros, arrendatários, moradores, agregados, posseiros, ou índios, mestiços, negros, mulatos, brancos, isto é, trabalhadores rurais que combinam condições sociais, econômicas, políticas e culturais bastante peculiares; às vezes muito diversas das condições sociais, econômicas, políticas e culturais prevalecentes a nível da sociedade nacional. Ao lado dos valores, padrões e laços de cunho comunitário, desenvolvem-se valores, padrões e laços determinados pela expansão do mercado. Mesclam-se a produção de valores de uso e troca, o compadrio e o dinheiro a prestação pessoal e o contrato, a liderança do chefe local e as exigências do poder estatal.[14]
Essa agregação de valores inversos é sempre um fator que promove inquietações nos mais variados grupos sociais, sobretudo naqueles que sofrem na própria pele essa inversão de valores e são eles os que reagem de diversas maneiras. Para Octavio Ianni a condição subalterna não elimina o protesto, a reclamação, a exigência, a reivindicação. Sob condições em geral muito adversa, o camponês reage em diferentes modalidades: resignação, indiferença, fatalismo, tocaia, banditismo social, revoltas, liga camponesa, messianismo, sindicatos, partidos políticos , revolução. Todos esses fatores não são apenas mecanismos de aparição social ou movimentos para serem vistos pelo poder publico, mas sim meios para fazer valer assim os seus direitos, que é o direito a terra. A sociedade foi se transformando, conquistando seu espaço, buscando seus direitos e se conscientizando de que a passividade e a não libertação de certos dogmas seriam, com certeza, um diploma de derrota.[15]
Os conflitos agrários na Amazônia não são fenômenos novos, e ganha visibilidade a partir da década de 80, passada mais de uma década da política de colonização da Amazônia.[16]
Nesta década a situação econômica e social do estado do Pará passa por situação de diversidade, com o termino das obras da Belém - Brasília, os trabalhadores que eram em sua maioria oriundos de outros estados fora deixados a mercê da sua própria sorte e à sua maneira lutavam pala sobrevivência. Muitos desses trabalhadores migraram para cá, visando melhorias de vida, empregos nos grandes projetos mineradores ou impulsionados pelo desejo de riqueza rápida através da garimpagem. No entanto se deparam com uma realidade totalmente contrária, onde ficam relegadas as mais diversas situações, inclusive o de trabalho em regime de “escravidão”.[17]
A situação econômica e social que se apresentava o Pará no decorrer dessa década foi um dos fatores que propiciou o aumento nos índices de conflitos agrários e aumentou assim o nível de violência no meio rural e urbano, foto que se estendeu até os dias atuais.
Os trabalhadores em situação de miséria e sendo expulsos de suas terras, sentem a necessidades de organização, pois é nessa época que a violência contra eles se acentua. Surge então o (MST)[18] Movimento dos trabalhadores Rurais Sem-Terra, a partir daí começam as ocupações organizadas da terra. E as reivindicações de desapropriação de latifúndios improdutivos.
Logo, a violência na fronteira surge, dentre outros motivos, a partir dos conflitos pela definição dos títulos de posse entre posseiros, de um lado, e grileiros e fazendeiros de outro. Os posseiros, mais frágeis diante da possibilidade do uso da violência por parte dos latifundiários e, ainda, pela força que estes têm junto à classe política, são, geralmente, expulsos. Assim, resta à população expulsa de suas terras duas opções: continuar na fronteira velha a trabalhar como assalariado, posto que há uma crescente urbanização da fronteira (BECKER, 1991; OZÓRIO DE ALMEIDA e CAMPARI, 1995; TORRES, 1992), ou então, migrar para abrir uma nova região de fronteira.[19]
Embora a violência no campo já estivesse presente no Pará, foi a partir de 1884, que se intensificaram os conflitos tanto no campo como no meio rural, fazendo desta região do país um triste marcador das tragédias sociais e campeão nas estatísticas de mortes de trabalhadores rurais. Fato que em hipótese alguma pode ser apresentado como casual ou isolada, inscreve-se no rol da questão agrária paraense, amazônica e brasileira com a sua face mais perversa, a violência.[20] Acontecimentos que são muitas vezes noticiadas pela imprensa local e ate mesmo nacional, mas que rapidamente desaparece da mídia e com ele o esvaziamento do debate em torno da questão, em face disso, essas mortes passam a ocupar apenas dados estatísticos que alarmam e entristecem a parte mais desassistida da sociedade, mais é só, porque a violência é marca, é parte do processo de luta pela terra nesta região da Amazônia.[21] E é essa “luta pela terra”, que promove um caminhar rumo ao desconhecido das famílias que em acampamentos à beira das estradas em busca de um pedaço de terra para plantar, mas que jamais sabe o que os esperam no dia seguinte o muitas vezes são enfrentamento com grupos de capatazes, pistoleiros ou até mesmo grupos rivais que disputam a mesma terra.
É importante interpretar esses episódios mais ou menos explosivos, e das manifestações, mais ou menos planejadas e organizadas, dessas lutas. À medida, pois, que essas manifestações que se multiplicam em diversos cantos do Pará ou da própria Amazônia tenham, no seu povo um fundamento Sólido em algo que as originou e as sustentam,[22] Foi em busca dessa sustentação que a fazenda Macaxeira na região de Eldorado do Carajás foi ocupada por um grupo do MST. Que viram nesse grande latifúndio improdutivo, um fio de esperança de vida melhor, impulsionados por um perspectivas, e com o favorecimento desses fatores o movimento fez da fazenda Macaxeira suas “residências” provisórias. O que não imaginavam é que a custa de muito sangue derramado a Macaxeira se tornaria definitivamente suas residências.
Nos relatos feitos do Massacre através dos meios de comunicação, e pelos trabalhos científicos sobre o mesmo e nos depoimentos de sujeitos participantes do acontecimento é evidente a dinâmica de luta pela posse da terra na região sudeste do Pará. Nos bastidores desses relatos estão questões econômicas sociais e políticas que desencadeiam os conflitos na região e refletem algumas características da situação nacional no que tange as questões envolvendo o campo. No entanto não são apenas esses fatores presentes nos relatos que justificam a extrema violência na região. Essa violência é dotada de natureza cultural implícita na cultura de nosso país. A violência surge como “ajuste” das relações cotidianas e se perpetua como “padrão de comportamento” sendo absorvido como “modelo socialmente válido de conduta”.
A história desse povo que hoje habita a macaxeira, que agora leva o nome de Vila 17 de Abril, em Memória dos mutilados, foi produzida a custa de muitos desalentos, desenganos e acima de tudo um derramamento de sangue desnecessário.
Contar a História do massacre de Eldorado do Carajás é sem duvidas colocar seu povo diante de uma lembrança que todos querem esquecer. Visto que a vila 17 de Abril hoje vive momento de paz embora a imagem do dia do confronto ainda seja latente na memória de cada um.
Não quero com esse trabalho fazer esse povo sofrido e pisoteado passar novamente por transtornos de reviver os momentos de angustia, porém não podemos calar a voz daqueles que um viram seus direitos serem sucumbidos justamente por parte daquele que deveria protegê-los. Não me cabe aquir interpreta as contradições dos fatos contados tanto pelos sujeitos que participaram do evento quanto pela imprensa que a noticiou com muita ênfase embora dotado de muito sensacionalismo. Não me ponho aqui em minha narrativa memorialista,[23] fazer marcação pessoal dos fatos. Porém relatar como as memórias dos fatos foram se construindo na imprensa e na lembrança dos que vivenciaram o evento.
Falar nem sempre é pragmático, no sentido de coordenar a ação sobre
o mundo, no entanto falar aproxima as pessoas e as coloca num campo de significados comuns. É um contacto de experiências no qual tomamos um prazer especial. (...) uma espécie palradora, em que os relacionamentos sociais se reforçam através do bate-papo, graças ao qual reduzimos a solidão à qual nos condena a nossa individualidade e os mundos próprios que construímos para nós mesmos. Não se trata de uma memória-hábito, mas uma memória de eventos únicos, uma memória bergsoniana das coisas em constante transformação, da qual nos fala Ecléa,[24]
É essa memória traduzida em palavras e que transmite uma experiência vivida que quero abordar nesse trabalho, uma memória cheia de significados que se une a falas que embora emotivas e cheia de fragmentações é portadora de significações que nos aproxima da realidade.
[1] MONTENEGRO, Antonio Torres. História ral e memória, a cultura popular revisitada, 6ª Ed.- São Paulo: Contexto, 2007.
[2] BOSI, Ecléa. Memória e Sociedade, p. 18.
[3] Memória: construção sangrenta, Leila Navarro de Santana.
[4] Freitas, 2003, p. 09. In Debates e noções no campo da historia da educação.
[5] Livia Reis Testemunho como construção da memória
[6] Jacques Le Goff, Historia e Memoria 1924. p.421.
[7] Priscila Peixinho Fiorindo O papel da Memória Construtiva na Produção de Narrativa Oral Infantil a Partir da Leitura de Imagens em Seqüência.
[8] Ateliê Editorial. A Memória Partilhada.Resenha de Bosi, Ecléa. (2003)
[9] BOSI, Ecléa. Memória e Sociedade Lembranças de Velhos. P. 406.
[10] Melo Silvia Sousa de. formação de professores: Caminhos e Descaminhos da Prática Docente - Universidade da Amazônia, Belém – Pará, 2001.
[11] CASTRO. Maria da Conceição Araujo. MOBILIZAÇÃO DO TRABALHO NA AMAZÔNIA, O Oeste do Pará entre grilos, Latifúndios, cobiças e tensões. São Paulo, Junho de 2008
[12] Idem.
[13] OLIVEIRA. U. de Ariovaldo. A longa marcha do campesinato brasileiro: movimentos sociais, conflitos e reforma agrária (2001)
[14] IANNI. Octavio. Revolução Camponesa na America Latina. In SANTOS. José Vicente T. dos. Revoluções Camponesas na America Latina. Campinas/SP; Editora UNICAMP, p. 28.
[15] LEME. Regina Aparecida Polmonari. Uma visão criticada efetividade do direito de propriedade no Brasil.
[16] SANT’ANNA Andre Albuquerque YOUNG Carlos Eduardo Frickmann. Direitos de Propriedade, Desmatamento e comflitos rurais na Amazônia
[17] SILVA, da Gardenia Rodrigues, Os Conflitos Agrários no Sul do Pará: O Massacre de Eldorado do Carajás (1996).
[18] Movimento social oficializado em 1984, que reivindicava da reforma agrária no pais através de diversas formas, dentre elas a ocupação de latifúndios improdutivos, caminhadas, congressos dentre outras.
[19] SANT’ANNA Andre Albuquerque YOUNG Carlos Eduardo Frickmann. Direitos de Propriedade, Desmatamento e comflitos rurais na Amazônia.
[20] MACEDO, Catia Oliveira. Diferenciação sócio-econômica e campesinato: O Caso dos assentamentos Cristo Rei, Ubá e Rio Branco no Sudeste do Pará.
[21] Idem.
[22] HÉBETE. Jean, Cruzando a Fronteira 30 anos de estudo do campesinato na Amazônia/Jean hébette. – Belém: EDUFPA, 2004.
[23] BOSI, Ecléa. Memória e Sociedade Lembranças de Velhos. P.26.
[24] ADES César. Ateliê Editorial O tempo vivo da memória: Ensaio de Psicologia Social. USP São Paulo.
Estou Traalhando nesse projeto há algun tempo. terminarei logo logo. e volto apostar.
ResponderExcluir